A Copa Paralela

Está havendo um campeonato paralelo com a Copa do Mundo da Fifa. Geralmente é uma luta travada entre os que já se alinharam a algum dos candidatos que disputarão as eleições deste ano. Os que não gostam da Dilma viram com simpatia o movimento não vai ter Copa. Os alinhados com o Governo reviveram um patriotismo não visto desde Médici, com um discurso ame-o ou deixe-o. Os que criticaram os gastos excessivos da Copa ou o fraco desempenho econômico passaram ser tratados como portadores de um complexo de vira-latas.

É nesse ambiente que foi divulgado um estudo pela LCA Consultores sobre os países que realizaram Copas do Mundo da Fifa. Segundo o estudo, países que sediam Copas do Mundo costumam ter crescimento 1% superior do que se não tivessem realizado. Nos casos em que o time da casa venceu a Copa, o bônus nos anos seguintes pode ser até maior.

Como me interesso por esses tipos de estudos, fui tomar conhecimento dele. Como era de se esperar, o estudo não faz nenhum prognóstico para o futuro. Logo, nem de longe é possível concluir que nossa economia vai crescer mais por conta da Copa. O trabalho foi desenvolvido com base em mero exercício de comparação e correlação. As conclusões foram que os países que mantiveram os cronogramas de obras e investiram pesado em infraestrutura tiveram crescimento superior ao que teriam caso não tivessem realizado a Copa.

Não preciso lembrar que, por aqui, não foram observadas as condições do estudo. Obras foram executadas à noite – devido aos atrasos –, implicando aumento dos custos. As obras de mobilidade sobre trilhos – que seriam o grande legado da Copa – não ficaram prontas, sendo que algumas nem chegaram a sair do papel (como o trem-bala). Os estádios ficaram prontos, mas a um custo muito superior à previsão inicial. Só o Mané Garrincha, em Brasília, custou R$ 2 bi.

Assim, antes que os mais animados com a Copa da Fifa ou com o Governo Petista se animem, é bom que leiam o estudo. Em nenhum momento o estudo conclui que realizar a Copa da Fifa trará crescimento para o Brasil. O que o estudo concluiu é que alguns países se beneficiaram com grandes eventos. Mas apenas aqueles que realizaram as obras com planejamento, de forma a não onerar os custos de construção, e que conseguiram mudar a infraestrutura das cidades por meio de investimentos transformadores principalmente na área de transportes.

No Brasil o trem-bala foi abandonado e os projetos de VLT e monotrilhos de cinco capitais não ficaram prontos, sendo que alguns deles provavelmente nem ficarão. O impacto disso na economia não é possível prospectar. Daqui a alguns anos talvez seja possível medir o impacto da Copa da Fifa sobre a economia do Brasil. Os números produzidos pela LCA Consultores nada disseram sobre o Brasil. E que fique claro: eu sou favorável à realização desses grandes eventos, como Copa da Fifa e Olímpiadas.

Gustavo Theodoro

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