Tudo Como Antes

Antes da Copa da Fifa, a imprensa internacional temia pelo fracasso da Copa no Brasil. A temperatura, a falta de mobilidade, os gramados, as manifestações, tudo assumiu grandes dimensões por lá, especialmente na imprensa inglesa.

Por aqui, conhecemos demais o Brasil para supor que a Copa seria um fracasso. Sabíamos que as obras de mobilidade não ficariam prontas – como não ficaram -, mas desde a ECO-92 aprendemos a lidar com isso: faixas seletivas, feriados, ponto facultativo para os servidores públicos, cancelamento de outros eventos; somos muito criativos em compensar os gargalos na infraestrutura. Tínhamos ainda o exemplo da Copa da Fifa na África do Sul, que apresentou problemas muito semelhantes aos nossos, mas que teve Copa.

Com relação aos estádios, sabíamos que iriam ficar prontos. Nossas empreiteiras parecem até preferir obras às pressas, em que as jornadas noturnas engordam os aditivos dos contratos. Segundo a Folha de São Paulo, as obras para a Copa custaram ao país cerca de R$ 35 bilhões. Só o estádio de Brasília custou cerca de R$ 2 bilhões em razão dos atrasos e dos aditivos. É por isso que nunca duvidei da Copa, nem embarquei em movimentos do tipo Não Vai Ter Copa, apesar de reconhecer sua legitimidade.

Ao mesmo tempo, agora tenho percebido por parte dos alinhados ao Governo Federal um ar ufanista, vitorioso, como se o sucesso da organização da Copa da Fifa e como se os bons jogos que testemunhamos atestassem nossa capacidade – ou a capacidade do Governo – de realizar grandes eventos.

Lamento informar a esses neonacionalistas que continuamos na mesma página que sempre estivemos. De volta à normalidade, voltaram os engarrafamentos. Em anos de Copa, os turistas de negócios e eventuais deixam de vir para o país sede em razão do custo das viagens e do temor de eventuais tumultos. É provável que agora os conhecidos gargalos em nossa infraestrutura voltem a se apresentar.

Governo e oposição contavam com a Copa para utilizá-la politicamente. Acho, no entanto, que seu resultado – sucesso do evento esportivo, derrota humilhante do Brasil, suspensão das manifestações e obras de infraestrutura inconclusas – não afetará as próximas eleições. Em outubro, a Copa será assunto velho, superado pela discussão dos problemas do País – assim espero – ou pela troca de acusações envolvendo algum tema irrelevante – hipótese bem mais provável.

Eu pretendo tratar das eleições neste espaço, esforçando-me bastante para evitar a superficialidade das análises.

Gustavo Theodoro

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