Extremismo

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A entrada de imigrantes na Alemanha tornou relevantes grupos de extrema direita que condenam a política de Angela Merkel de abrigar refugiados sírios em seu país. Mais de um milhão de refugiados foram acolhidos por aquele país em 2015.

Os grupos extremistas alemães, minoritários, classificam os políticos de “traidores do povo” e os jornais são chamados de “conformistas”. Esses grupos tratam a imprensa por termos como “mídia mentirosa”, por evitar criticar a política de Governo alemã. Mas uma característica nesse grupo chamou-me a atenção: o fato eles evitarem a mídia convencional e confiar mais em suas próprias fontes de informações, como blogs independentes.

Esse fenômeno está muito longe de ser isolado. Os EUA convivem com a Fox News há algum tempo e é muito provável que uma candidatura com a de Donald Trump não se mostraria tão resistente sem o radicalismo presente nesse veículo de mídia.

Da mesma forma, aqui no Brasil o caminho tomado pela Revista Veja e pela Carta Capital, para citar apenas dois exemplos, revelam como a informação pode ser tratada de uma maneira especial com vistas à formação e manutenção de grupos bem definidos. Eu não me considero nem de esquerda nem de direita, pois esses conceitos me parecem insuficientes para abrigar minha personalidade – modestamente, por certo -, e talvez por isso percebo imediatamente, nas redes sociais, a forma de propagação das informações disseminadas, inicialmente, por esses e outros veículos mais radicais.

Talvez também por começar a ter idade de comparar períodos bem diferentes de nossa história, os eventos às vezes parecem se repetir como farsa. Lembro-me claramente de Marília Pera ser ofendida por petistas por seu apoio à Collor. Lembro-me de Regina Duarte ser defendida por algumas publicações simpáticas ao Governo FHC quando ela começou a sofrer patrulha por sua atuação nas campanhas do PSDB.

De uns tempos para cá, petistas e simpatizantes passaram a ser vaiados e xingados nas ruas por anti-petistas. Cada episódio desse cria uma onda de indignação de um lado e propagação satisfeita de outro. Joaquim Barbosa foi abordado por simpatizantes do petismo na última semana e fenômeno semelhante ocorreu, com sinais trocados.

No episódio envolvendo Chico Buarque, a divisão das redes rapidamente se fez presente. De um lado, os que manifestaram aprovação pelo fato de “petistas” serem cobrados nas ruas. De outro, vi correr uma onda de indignação. Ambos os lados recorriam a palavras e termos que buscavam ressaltar preconceitos contra os quais deveríamos nos resguardar: “petista”, “mora em Paris”, “Leblon”, “Garneiro”, “coxinhas”, “Rouanet”, os termos se propagam e se disseminam, mas poucos de fato parecem ter assistido ao vídeo, ou o assistiram já contaminados por sua torcida.

A principal discussão ocorreu entre um “rapper” e Chico Buarque. Foi uma discussão típica de rua, com alguns personagens nitidamente alterados (para não dizer bêbados). O “rapper” foi agressivo em certo momento, Chico foi irônico, mas reagiu com tranquilidade. O episódio terminou com um aperto de mãos.

Não fosse o atual clima de extremismo que se observa no país, seria incompreensível um episódio como esse causar tanto debate. Pior é que o debate é, usualmente, maniqueísta, com cada grupo repetindo suas verdades e suas indignações.

Eu estou só assistindo a esse acirramento de ânimos. Participação política é necessária. Mas o extremismo não é requisito para se discutir política. Penso que deveríamos ouvir mais os argumentos dos outros, abrir o leque de leituras e evitar participação em grupos sectários ou radicais. A história nos mostrou que os radicalismos quase sempre levaram a rupturas institucionais e crises do Estado. E a Alemanha Nazista é um bom exemplo disso. Por mais difícil que seja a situação atual, o caminho institucional, do respeito às leis e aos próximos continua sendo o recomendado.

Gustavo Theodoro

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