O Rumo de Marina

Marina

Marina Silva encarnou, nessas eleições, meu sonho de me ver livre do velho e desgastado embate entre PT e PSDB, e de tudo o que veremos nos próximos dias. A derrota de Marina pode ser explicada por diversos fatores: falta de tempo, improvisação, falta de recursos, reduzido tempo de TV e erros na condução da campanha.

No entanto, especialistas são unânimes em destacar o peso dos ataques sofridos pela candidata. A campanha do PSDB foi menos hostil nas críticas à Marina, sendo que a maioria das imputações que lhe foram feitas eram verdadeiras: que Marina foi do PT por 24 anos – não sei ao certo, mas isso parece ter sido tratado como acusação – e que durante a CPI do mensalão, Marina permaneceu Ministra de Lula. Outras críticas relativas às mudanças em seu programa de governo lhe foram dirigidas, mas isso é do jogo político.

Já o PT atuou em outro tom. Logo no início da campanha, quando Marina começou a disputar a liderança nas pesquisas, Dilma Rousseff afirmou que “não tinha banqueiro me sustentando”, em clara referência à relação de Marina Silva com a educadora Neca Setubal, uma das herdeiras do Banco Itaú.

Logo depois vieram as famosas campanhas que demonizavam os bancos e o setor produtivo, vinculando-os à Marina Silva. Nas peças publicitárias, a comida dos pobres iria irrigar a ganância das bancas e dos empresários. Depois disso, Marina Silva foi comparada, na campanha petista, a Collor e a Jânio Quadros.

Kant ensinava que na guerra, não se pode admitir que nada torne impossível a paz subsequente. A voz corrente ouvida ontem na campanha de Marina indicava que está descartada, neste momento, uma aliança com o PT. Nunca é demais lembrar que Marina ainda era próxima a diversos setores do PT e que, mesmo na reta final, era-lhe indigesta a aliança com Geraldo Alckmin. Na eleição anterior, Marina preferiu não apoiar nem Serra nem Dilma, guardando-se para, quem sabe, fazer um governo dos melhores no futuro.

Relembro, agora, a lição de outro mestre na arte de se fazer política, o pensador conservador britânico Edmund Burke, que dizia que sabedoria consiste em saber quanto mal deve ser tolerado. No longo discurso proferido ontem, com o semblante tranquilo, Marina deu claros sinais de que não irá de Dilma Rousseff no segundo turno. Mas ela foi além: disse que o Brasil sinalizou que não concorda com esse projeto (de Dilma), e que quer uma mudança qualificada. Disse ainda que não há de tergiversar com o sentimento de 60% dos eleitores. Parece que Marina não irá tolerar o mal que lhe foi impingido.

Gustavo Theodoro

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