Crise Hídrica e Energética

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A crise hídrica e energética revela duas características de nossa cultura: a dificuldade em reconhecer erros e a falta de planejamento. Ano passado o Brasil se saiu mal no PISA mais uma vez. Houve pequena variação negativa em leitura e ciências e alguma evolução em matemática. Imediatamente após a divulgação do resultado, o então Ministro da Educação Aloísio Mercante convocou entrevista para destacar o avanço das notas de matemática dos alunos brasileiros. Ou seja, ao invés de admitir o problema e buscar soluções, procurou-se iludir o eleitorado vendendo como melhora resultado que, quando muito, revelou estagnação.

Parece que as mudanças climáticas começaram a se fazer sentir em algumas regiões do Brasil. São quase dois anos de chuvas escassas tendo como resultado reservatórios vazios e, como consequência, crise de abastecimento de água e de energia.

O Governador Geraldo Alckmin segue em seu autismo, utilizando novos eufemismos para racionamento a cada entrevista, mas sempre evitando reconhecer a falta d’água. Como o racionamento não é definitivamente declarado, o paulistano corre o risco de virar um retirante. O sertão não virou mar, mas é possível que São Paulo vire sertão. Alguns especialistas têm afirmado que São Paulo só tem mais dois meses de água se não chover. Enquanto isso vemos o Governador brincar com os termos volume morto, reserva técnica, rodízio, administração da pressão e restrição hídrica.

Da mesma forma, o Governo Federal nega a gravidade da situação energética do país. Em medida desastrosa, o Governo Dilma resolveu reduzir o preço da energia às vésperas da eleição municipal de 2012. Ocorre que redução de preço de bem escasso faz aumentar a escassez do bem, já que há aumento do consumo e inibição de novos investimentos. A tempestade perfeita se formou justamente com a ausência de tempestades. A crise hídrica limitou a capacidade de fornecimento de energia, o que levou nosso sistema energético a atuar no limite, como demonstrou o apagão descoordenado ocorrido no dia de ontem em diversos estados do país.

Mais uma vez, nem o governo paulista nem o federal pensaram em admitir a gravidade do problema, o que impacta em nosso futuro, pois sem diagnóstico adequado não há solução de longo prazo. Tivemos um apagão energético em 2001/2002, quando houve racionamento assim nominado, mas com consequências políticas desastrosas para o PSDB. Ninguém mais se atreve a anunciar racionamento. Ao mesmo tempo, não parecemos capazes de planejar obras cuja inauguração não está no horizonte de quatro anos. Ou evoluímos nisso ou o racionamento nos alcançará definitivamente, queiramos ou não. E talvez já seja tarde demais.

Gustavo Theodoro

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