Política e Violência

A violência é tida por muitos como forma de ação política. No século XX, houve um autor, líder sindical, George Sorel, que escreveu um livro muito lido sobre a violência. Fazia ele ligações entre o socialismo utópico e a violência. Na sua forma de pensar, era necessário criar o mito de uma outra sociedade, mais humana, mais solidária, composta apenas por pessoas boas. Depois ele explicou que o objetivo do mito é preparar as pessoas para a destruição de tudo o que existe. Aquele que mitifica o futuro acaba acreditando que temos que matar e destruir no presente.

Hoje morreu o cinegrafista Santiago Andrade, obra do movimento Black Bloc, que adotou a violência como forma de ação. É necessário lembrar: nem Marx defendia o uso da violência, pois ele tinha conhecimento de que a violência não é arma da ação política. Pelo contrário. Nesse sentido, a lição de Cícero é inequívoca: cercada de armas, as leis se calam (inter arma leges silent). Pois lei, para os romanos, significa ligação duradoura e, por conseguinte, contrato, o que pressupõe discussão e acordo. Logo, para os romanos, os inventores da política, nada se parece menos com política do que a violência.

É o primeiro assassinato dos Black Blocs. Sim, pois quem aposta na violência assume o risco de suas consequências. Veremos se ainda haverá quem defenda suas práticas e sua forma de ação.

Gustavo Theodoro

1 comentário

  1. Gustavo,
    Importante reflexão, no mesmo debate podemos incluir a ação dos justiceiros no Rio, que na semana passada tiveram projeção nacional com o episódio da trava da bicicleta no pescoço do pivete.
    Na mídias sociais, quem quis começar uma campanha pela não violência foi engolida pelos comentários dos favoráveis à ação dos agressores do menor.
    A verdade é que onde o Estado é omisso surgem grupos para tomar o lugar e “suprir” esse papel. O exemplo clássico são as favelas no Rio, por anos esquecidas pelos governantes, degringolou há tempos, comandadas por bandidos que negociavam com policiais corruptos, depois dominadas por ex-policiais (milícia) e agora, finalmente, com algum avanço com a implantação das UPPs.
    O pior é que, em ano eleitoral, os governantes querem posar de humanistas – em junho/2013 quem falou grosso foi duramente criticado pelos democratas de plantão – e estão deixando a coisa correr solto. Não acredito que, nem com a morte do cinegrafista os candidatos à reeleição vão mudar de postura.

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