O Erro de Sarney

Correu na rede um vídeo em que o Senador José Sarney registra seu voto. Com o número 13 de Dilma Rousseff na lapela, as câmeras registram o voto em Aécio Neves. Muitos duvidaram do vídeo até que o próprio Sarney admitisse ter votado em Aécio, neto de Tancredo, cuja morte precoce lhe garantiu um mandato presidencial.

Apesar de Aécio ter, supostamente, perdido, é possível que Sarney veja executado o programa de governo que referendou. Basicamente, Aécio defendia que, sem retomar a capacidade de investimento, sem controlar a inflação e sem dispor da confiança do mercado, os brasileiros, mas principalmente os pobres, sofreriam os efeitos da inflação alta e do baixo crescimento. Além disso, face ao esgotamento da política fiscal, até mesmo os programas sociais seriam atingidos.

Para retomar a capacidade de investimento e controlar a inflação, era necessário tomar medidas duras: subir os juros, realizar um rigoroso ajuste fiscal, promover um realinhamento das tarifas públicas e retomar o diálogo com os meios financeiros e produtivos por meio da indicação de um técnico para o Ministério da Fazenda.

A campanha de Dilma nem se dispôs a apresentar programa de governo. A promessa que soou mais como ameaça era de que iria fazer o que já estava sendo feito em seu Governo. Em outras palavras, aumento do gasto social independentemente do impacto nas contas públicas, a política de escolha de empresas para serem players globais por meio de financiamento público e compra de ações (a conhecida política dos campeões nacionais), juros em um patamar que não prejudicasse o crescimento, ainda que fosse tolerada inflação mais alta, incentivos tributários a setores da economia de acordo com escolhas pouco transparentes do próprio Governo, dentre outras heterodoxias.

Entre o primeiro e o segundo programa, Sarney anunciou a escolha no segundo, mas votou no primeiro. Parece que a Presidente Dilma está indo pelo mesmo caminho. O programa demonizado por ela está sendo seguido à risca. A energia e os combustíveis sofreram reajuste. O Banco Central aumentou inesperadamente a taxa Selic. Um banqueiro foi convidado para o Ministério da Fazenda. E o Ministro Mantega acaba de anunciar um ajuste fiscal para o próximo ano. Fico até na dúvida: será que eu também me equivoquei ao votar?

Gustavo Theodoro

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