House of Cards

Eduardo Cunha Frank Underwood

Na série americana House of Cards, Frank Underwood (cujo personagem é defendido pelo excelente Kevin Spacey) é um congressista que havia oferecido apoio ao candidato a Presidente. Em troca, seria nomeado Secretário de Estado de seu futuro Governo. Ao assumir a Presidência, o acordo não foi cumprido. Em toda a primeira temporada, Frank torna mais difícil a vida do Presidente ao mesmo tempo em que cria uma situação que lhe permite assumir a vaga de Vice-Presidente da República.

Na segunda temporada, valendo-se de subterfúgios, dissimulação, mimetismo, acompanhados de sua extraordinária capacidade de articulação e de nenhum valor moral, consegui impor a renúncia do Presidente da República. A segunda temporada termina com Frank Underwood assumindo a Presidência dos EUA.

Eduardo Cunha, atual Presidente da Câmara, é exímio político conservador que conseguiu amplo domínio sobre a Câmara dos Deputados. O Governo Dilma soltou suas feras e abriu o cofre do palácio para derrotá-lo, mas isso só acirrou o conflito.

O atual Presidente da Câmara é um político atento a oportunidades. Esteve com o PDS quando ele era Governo em 1982. Esteve com o PRN de Collor em 1990. Depois do impeachment, passou a fazer parte do time de Garotinho quando este foi Governador do Rio de Janeiro. Brigado com Garotinho, refugiou-se no PMDB, onde sua influência – e ambição – só fez crescer. Após sucessivos mandatos, já no primeiro Governo Dilma começou a causar as primeiras dificuldades dentro da própria base na aprovação dos projetos de interesse do PT.

Além de ter visto sua influência sobre as bancadas governistas aumentar, Eduardo Cunha mostrou-se muito habilidoso na arte de arrecadar recursos para campanha. Tamanha opulência permitiu que ele direcionasse recursos para seus aliados.

Radialista competente, já deu mostras de que sua Presidência não será indolor para o Governo Dilma. Na CPI da Petrobras, um aliado seu deve assumir o posto de Presidente. Nunca é demais lembrar que Dilma está perigosamente perto do enrosco da Petrobras. Ela foi Ministra das Minas e Energia e foi Presidente do Conselho de Administração na época em que as piores decisões foram tomadas. Como Presidente da Câmara, Eduardo Cunha é o terceiro na linha sucessória. O Vice é Michel Temer, do mesmo PMDB de Eduardo Cunha.

Daqui onde vejo as coisas, penso que ninguém deve se surpreender se Eduardo Cunha iniciar um processo tendente a levar, em algum tempo, ao impedimento da Presidente Dilma. Por escolha do próprio PT, o PMDB é o principal aliado do Governo Federal. Ocorre que, ao sentir cheiro de sangue, os tubarões se agitam e a balança do poder começa a se verter. Mais rapidamente do que poderíamos imaginar. As semelhanças entre Eduardo Cunha e Frank Underwood são evidentes. Quem teme um golpe da oposição pode estar olhando para o lugar errado.

Gustavo Theodoro

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