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Jucá

Juca

Hoje é mais um bom dia para quem se interessa pelo combate à corrupção. Houve mais uma fase da Lava Jato, indicando que a operação seguirá seu caminho. Um velho conhecido do mensalão, o tesoureiro do PP foi preso novamente. O bom foi não ter que ouvir aquelas coisas que estávamos acostumados: “por que só o PP? O PSDB não vai ser envolvido?”.

Houve conduções coercitivas hoje. Engraçado que me lembro de um violento combate a esse instrumento utilizado pela Lava Jato no caso Lula. Nas outras duzentas vezes em que esse método de condução para depoimento foi utilizado não se ouviu um único protesto de garantistas.

Jucá teve uma conversa gravada. Falou barbaridades. Tem que sair do governo e ser investigado pelo MPF. Não ouvi ninguém falar em “vazamento seletivo”, o que é ótimo. Tampouco percebi reclamações de que a grande imprensa persegue o PMDB (já que foi a Folha de São Paulo, jornal da mídia golpista e corrupta que divulgou a transcrição da conversa de Jucá).

A transcrição da conversa nos revelou que o PMDB tem ambições de segurar a Lava Jato. É bom que o MPF e o STF se preparem para isso. Percebi também que todos os políticos têm medo do Moro. E pensar que teve quem o acusasse de ser parcial e “só prender petista”.

Sim, o PMDB está envolvido até o pescoço com o Petrolão. “Temer é Eduardo Cunha”. “Quem não conhece o esquema do Aécio?”, são falas do Jucá. Sigamos em frente. Como disse o Delcídio, no Petrolão já foram presos os operadores, os funcionários públicos e os empreiteiros. A perna que falta é a dos políticos.

Bom saber que o “Teori é fechado”, não dá conversa para políticos. E que o MPF está de posse dessa e, possivelmente, de outras conversas.  Queremos um país melhor? É hora de gritar fora Temer. Não acho que haja o mínimo de legitimidade em seu mandado.

A crise do país é muito grave. Os desafios são imensos e parte do ajuste será dividido com a sociedade. É necessário um novo pacto para isso. E esse novo pacto só pode ser construído por meio de uma campanha eleitoral em que as verdades sejam ditas e novas promessas e compromissos sejam assumidos. Nesse sentido, hoje é um dia para comemorarmos. Começou a caça ao PMDB.

Gustavo Theodoro

O País da Perplexidade

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Não tem sido fácil entender o País. Atos a favor do impeachment de Dilma Rousseff contam com faixas em defesa de Eduardo Cunha. Manifestação de apoio à manutenção do Governo Dilma faz duras críticas à condução de seu Governo, em especial com relação à área comandada por Joaquim Levy. PSDB faz união estratégica com Cunha em um movimento contra a corrupção (se é que entendi bem). Renan Calheiros, ele mesmo, propõe uma “Agenda Brasil”, com intuito de dar sobrevida ao Governo Dilma. Michel Temer, o Vice-Presidente, disse que o Brasil precisa de alguém com capacidade de “reunificar o Brasil” (estaria pensando nele mesmo?).

Brasileiros com camisa da CBF marcham contra a corrupção. Alguém sabe o que se passa na CBF? Dizem que na ditadura não havia acordo com empreiteiras e que as obras terminavam. Alguém se lembra da ferrovia do aço? E de Angra 3, cujos escândalos duram décadas?

O PSDB votou contra o fator previdenciário criado em seu Governo. Justo quando pirâmide populacional parecia indicar que nova reforma era necessária, mas desta vez para aumentar a idade mínima para aposentadoria. Apesar de ser a favor da responsabilidade fiscal, negou apoio à política de ajuste fiscal. Já os parlamentares do PT têm se rebelado com frequência e votado contra seu próprio Governo. Ao mesmo tempo, evitam condenar o ex-Ministro José Dirceu, preso novamente por receber “pixulecos”.

Sim. Petistas até hoje negam a existência do mensalão. Alguns até admitem que ele existiu, mas que ele era mais barato do que dar ministérios para o PMDB. Pode ser. Mas será que vale a pena ganhar o poder para rasgar seu programa? Sim, pois se bem nos lembrarmos, a primeira traição foi a Carta ao Povo Brasileiro. Pelo menos ali não foi cometido estelionato eleitoral. Os petistas de carteirinha – convivi com eles – nunca acreditaram na carta. Eis que foi cumprida. Para ter maiorias, compraram deputados. Descoberto o esquema, entregaram as Estatais e parte dos Ministérios aos aliados como o PMDB, o PP e o PL. Ministérios de “porteira fechada”, como se diz. Para ganhar eleições, precisava arrecadar dinheiro público que transitava pelas empreiteiras. Assim foram presos dois tesoureiros do PT: Delúbio Soares (já condenado) e João Vaccari Neto (em prisão preventiva).

Quase dois bilhões de reais foram ou estão para ser devolvidos aos cofres públicos. Trata-se, provavelmente, do maior esquema de corrupção do mundo. O que não se entende é quem ainda defenda esse Governo: “ah, mas tem os programas sociais”; “ah, mas se eles não estivessem lá estaria o PSDB”. É esse o nível da argumentação. Estamos completando o primeiro ano de estelionato eleitoral. As profecias dos pessimistas estão todas se realizando. Dois anos de recessão (pelo menos). Aumento do desemprego. Diminuição da renda. É provável que venhamos a devolver boa parte do que ganhamos nos últimos tempos. Nesse momento, emerge meu lado idealista: vale a pena manter o poder a qualquer custo, mesmo comprando parlamentares, entregando ministérios com porteira fechada, roubando dinheiro público para financiar campanhas (mas também para benefício pessoal dos envolvidos) e mentindo descaradamente? Pois eu acho que não. O renascimento da direita está aí para demonstrar. O PT está acabando não só com seu partido, mas também com as esperanças normalmente emuladas pela esquerda.

Lembremo-nos de Leonard Blum, grande líder socialista francês, que evitou alianças com comunistas e segurou o partido dentro de seu programa. Pragmatismo não era com ele. Em cinquenta anos de liderança do partido socialista, em apenas um esteve conduzindo o Governo. Era um partido respeitado justamente por respeitar seu programa e conviver bem com o tamanho de seu eleitorado. Mitterrand e seu pragmatismo assumiram o poder a diminuíram o tamanho da esquerda francesa. Nas próximas eleições é provável que se tenha Sarcozy (liberal) contra Jean-Marie Le Pen (ultradireita). Valeu a pena?

Enquanto isso, aqui no Brasil, somos obrigados a ouvir o Senador do PMDB, Romero Jucá, dizer que não há demérito nenhum em ser denunciado. E Dilma fazer discursos sobre a mandioca e “mulheres sapiens”. E que não vai cortar recursos de programas sociais (mas já cortou). E o PSDB lançar uma frente em defesa da ética e tirar foto ao lado de Eduardo Cunha, o “guerreiro do povo brasileiro”, segundo coro proclamado pela turma do Paulinho da Força.

Bom, pelo menos parece que o Canadá está com política de incentivos à imigração. Nem tudo está perdido.

Gustavo Theodoro